Sua marca seria lembrada… mesmo depois de duas décadas?
- 6 de mai.
- 3 min de leitura
por: Aline Hilário

O Diabo Veste Prada 2: você não assistiu um filme, você consumiu uma marca
Ok, a gente PRECISA falar sobre isso.
O Diabo Veste Prada voltou, e ninguém fingiu costume. Duas décadas depois ele está no centro das conversas, e o mais interessante é o que esse retorno revela sobre marcas, percepção de valor, posicionamentos e construção de desejo.
Alerta de spoiler 🚨:
Miranda Priestly continua sendo… a Miranda. Uma diva, intocável, precisa e icônica. Mas existe uma mudança sutil e muito significativa. Ela não pode mais se comunicar como antes, e isso fica claro principalmente na cena da reunião em que sua nova assistente sempre está chamando a sua atenção quando percebe que a Miranda pode fazer os comentários ácidos, então tem mais pausa, mais filtro, mais cálculo. Não porque ela perdeu força, mas porque o contexto mudou. Hoje, tudo reverbera. Tudo vira recorte, opinião, julgamento, trend. A internet transformou não só a forma como as pessoas se comunicam, mas também como o poder é percebido.
E isso traz um ponto importante para o marketing: não dá mais para sustentar autoridade apenas pelo que se diz, mas por como isso circula.
As marcas mais fortes entenderam isso. Elas não mudam sua essência, mas ajustam a forma. São intencionais em cada detalhe no tom, na presença e, muitas vezes, até no silêncio, e talvez esse seja um dos maiores sinais de força.
O próprio lançamento do filme mostra isso. Ele não precisou se vender, nem convencer ninguém. O interesse já existia. Desde os primeiros rumores, passando pela confirmação, até o lançamento o público já estava envolvido, isso não é hype. É construção de marca.
É quando você não precisa recomeçar, porque nunca saiu completamente da mente das pessoas.
Existe também um outro elemento que sustenta esse retorno: a nostalgia. Mas não uma nostalgia vazia. É uma nostalgia que ainda faz sentido, porque existe relevância construída ao longo do tempo.
E aqui entra um detalhe que muitas marcas ainda ignoram: exclusividade.
O universo de O Diabo Veste Prada não tenta agradar todo mundo. Ele não se adapta para ser aceito. Ele mantém seu padrão, sua identidade, seu posicionamento (SIM, ELE SUSTENTA! ✨). E isso, no branding, é extremamente poderoso.
Porque marcas que tentam falar com todo mundo acabam não sendo lembradas por ninguém.
Outro ponto que chama atenção é que, em nenhum momento, os personagens tentam provar valor. Não há esforço para convencer, explicar ou justificar. Eles simplesmente existem e isso basta. (Inclusive a nossa querida Emily é um exemplo perfeito disso💅)
Agora, olhando para o mercado, a pergunta é inevitável: quantas marcas conseguem operar assim?
A maioria ainda fala alto demais, se explica demais e tenta validar seu valor o tempo todo. Mas isso não constrói percepção de força, constrói dependência.
E aqui vem a parte desconfortável: se a sua marca só ganha atenção quando está investindo em mídia, talvez o problema não seja o alcance. Talvez seja a ausência de construção.
Marcas fortes não vivem só de exposição. Elas vivem na memória, na cultura, na conversa. Viram referência, repertório, significado.
E quando voltam seja com um produto, uma campanha ou até um filme, não precisam disputar atenção, elas já têm.
Assistindo ao filme com essa nova realidade e principalmente com uma formação em publicidade fica uma pergunta que é simples, mas difícil de responder com honestidade:
Sua marca seria lembrada… mesmo depois de duas décadas?



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